17 de fevereiro de 2017 Selton Mello fala sobre cinema, TV e a Mostra O Amor, a Morte e as Paixões

Nesta sexta-feira, 17/02, o ator Selton Mello estará na Mostra O Amor, a Morte e as Paixões, para um bate-papo com o público. O evento será às 20h, na sala 05, e será gratuito para os 100 primeiros clientes que chegarem no Cinema Lumière.

Enquanto isso, confira uma entrevista exclusiva que o ator deu para o nosso site:

61) Você esteve na primeira Mostra O Amor, a Morte e as Paixões, em 2001, promovendo o filme “Lavoura Arcaica”, de onde, inclusive, saiu o nome deste festival. Como é voltar 10 edições depois e perceber que a Mostra cresceu e se tornou um evento expoente no Centro-Oeste?

No final do ano passado participei da comemoração dos 15 anos do Lavoura Arcaica. Sem dúvida é um filme que marcou minha vida, e por felicidade acabou batizando a Mostra. Estou muito feliz por voltar, e mais ainda por ser nessa décima edição! Do Lavoura Arcaica pra cá muita coisa aconteceu e o evento se consolidou na agenda da região. A Mostra tem números que ressaltam a sua grandeza. São duas semanas de ótimos filmes. Aliás, são 100 filmes selecionados com a curadoria do professor de cinema da Universidade Federal de Goiás, Lisandro Nogueira, e realizado pela Rede de Cinemas Lumière. Um trabalho de muita dedicação, que traz pra população de Goiânia um evento de cinema de primeira qualidade.

2) Este ano, na Mostra, temos três longa-metragens 100% produzidos em Goiás, e que foram selecionados para alguns dos principais festivais do Brasil – como é o caso de “Terra e Luz”, exibido em Tiradentes. Você acha que a produção cinematográfica no Brasil ainda está concentrada no eixo Rio-São Paulo? Como incentivar a produção em outros Estados?

A força econômica do eixo Rio-São Paulo é a provável causa dessa concentração na produção cinematográfica. Mas é muito importante a gente enxergar além desse eixo. Temos excelentes profissionais espalhados por esse país, e temos paisagens e culturas completamente diferentes. São histórias específicas de cada recanto do Brasil. Creio que o “Terra e Luz” e os outros dois novos filmes goianos servirão de inspiração para que outros produtores e diretores realizem seus projetos. Vejo um potencial enorme para isso acontecer.

3) Nesta semana está acontecendo o Festival de Berlim, um dos maiores eventos de cinema do mundo, onde serão exibidos doze filmes nacionais. No ano passado, o longa brasileiro “Aquarius” foi recebido de pé no Festival de Cannes e recebeu indicações para as principais premiações europeias, incluindo a de Melhor Filme Estrangeiro no César – o Oscar da França. Como você vê essa conquista que o cinema nacional teve no mercado estrangeiro?

É inegável que o cinema nacional está produzindo filmes belíssimos e não é de hoje. O Brasil é visto com atenção pelo mercado internacional. Não só como mercado consumidor de cinema, mas também como celeiro de talentos. Temos produtores, diretores, atores, atrizes, diretores de fotografia filmando em variadas produções internacionais nesse momento. Tenho certeza que cada vez mais teremos participações de destaque nos festivais ao redor do mundo e principalmente, entrando em circuito no mercado internacional.

4) Você está se dedicando bastante à sua carreira como diretor, lançando agora seu terceiro trabalho por trás das câmeras com o longa “O Filme da Minha Vida”. Como você avalia a sua evolução enquanto diretor e como esta visão interfere na sua atuação?

Sinto que amadureço a cada passo dado. Este ano vou lançar meu terceiro longa-metragem como realizador, chamado “O Filme da Minha Vida”. Essa transição do ator para o diretor foi bem natural. São 35 anos de carreira, então no decorrer desse tempo, fui aos poucos me aproximando da direção organicamente. Dirigir 3 temporadas seguidas (2012, 2013 e 2014) da série Sessão de Terapia, para o GNT, foi também muito enriquecedor. Foram 115 episódios no total. E depois de tanto tempo só dirigindo me deu vontade de voltar a atuar. O retorno foi em “ Ligações Perigosas”, trabalho que tenho em alta conta. Terminei agora uma nova minissérie para a Tv Globo em parceria com a O2, que se chama “Treze Dias Longe do Sol”, de Luciano Moura e Elena Soárez. Paralelamente trabalho na adaptação de “O Alienista”, que também será uma minissérie de 10 capítulos baseada no conto extraordinário de Machado de Assis. Este trabalho marcará minha estréia na Tv como diretor geral, além de também dar vida ao incrível personagem Simão Bacamarte. Ou seja, durmo pouco (risos).

5) Da lista de filmes que estamos exibindo na Mostra este ano, quais você indicaria para o público como imperdíveis? (a lista está em anexo ou pode ser conferida no site www.cinemaslumiere.com.br/mostra).

A Mostra está recheada de grandes opções. Em duas semanas o público terá tempo suficiente para aproveitar. Você citou Aquarius. Esse é um filme imperdível. Elis é outro filme que vale muito ser visto. Sugiro que o público prestigie os filmes nacionais, com especial carinho para as produções locais. Mas também tem os clássicos! O fabuloso Apocalipse Now, dirigido pelo Coppola, com Marlon Brando, Robert Duvall, e Martin Sheen. Ou seja, aproveitem porque tem muito filme bom pra saborear!

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