24 de fevereiro de 2017 Seis razões para “Moonlight” derrotar “La La Land” no Oscar

1-fe0w3eabk9-yofjqmq8t2w-jpegExiste um Estados Unidos além de “La La Land – Cantando Estações”, onde as coisas não são muito coloridas e as pessoas não dançam e cantam para expressar seus sentimentos.

Em cartaz no Brasil desde quinta-feira (23), “Moonlight – Sob a Luz do Luar” é o único indicado na categoria de melhor filme que ameaça a euforia em torno do musical com um drama sóbrio e de orçamento relativamente barato (de apenas US$ 5 milhões, cinco vezes menos do que foi gasto “La La Land”, por exemplo), mas de rara beleza.

Escrito e dirigido por Barry Jenkins a partir de uma peça de Tarell Alvin McCraney, o filme acompanha três momentos da vida de Chiron (vivido por Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes), um garoto negro da periferia de Miami consciente de uma diferença que ele é incapaz de definir. Não é meramente um filme sobre a descoberta da homossexualidade. “Moonlight” propõe uma experiência visual e sensorial de autoconhecimento, um tema universal e humano que o torna digno da honraria da Academia. Veja outros 6 motivos pelas quais “Moonlight” pode –e deveria– vencer o Oscar no próximo domingo (26).

1 – Torcida
Em um movimento contrário a ovação em torno de “La La Land”, os críticos de fora defendem que “Moonlight” deve vencer o grande prêmio da Academia. “Outros indicados a melhor filme têm coração, alma e humanidade. E [‘La La Land’] não tem nenhum”, afirmou o crítico David Cox, do “Guardian”. “Moonlight” teve aval e torcida desde sua primeira exibição e carrega no currículo mais prêmios do que o musical, incluindo o Globo de Ouro de melhor filme de drama e a produção do ano pela Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos EUA.

2 – Coração e humanidade
No fundo, “Moonlight” carrega uma mensagem mais universal do que a etiqueta de “drama gay” supõe. Os personagens, mesmo às margens da criminalidade, estão todos à procura de amor e aceitação, seja a mãe viciada (defendida com unhas e dentes por Naomi Harris) ou o traficante Juan (Mahersala Ali) que acolhe Chiron. Aliás, se tem um prêmio com destino mais que certo neste Oscar é o de ator coadjuvante para Ali, que desmonta expectativas e cria seu personagem como uma figura doce e paternal, consciente da complexidade do mundo.

3 – Quer que desenhe?
Não existe algo mais cara do Oscar do que uma história que exerça o poder da empatia. Neste sentido, “Moonlight” desenha como uma vida de porrada e miséria podem ser determinantes na história de uma pessoa. Afinal, somos todos resultado dos ambientes em que vivemos e das pessoas que nos cercam. Vulnerável em ambos os aspectos, o protagonista vive o bullying na infância e não demora a se tornar um adolescente introvertido. Na fase adulta, se refugia na violência e na hipermasculinização, sem ousar ser quem se é. Poucas vezes no cinema, a questão foi representada com o cuidado e a originalidade de Barry Jenkins.

4 – Esta cena
A cena em que Chiron aprende a nadar com Juan é uma das mais belas e intensas que você vai assistir este ano no cinema. É no mar (“o centro do mundo”) também que o personagem tem contato com a possibilidade de felicidade e aceitação.

5 – Canção na jukebox
Sem nunca deixar que o tom trágico contamine o filme, o diretor prepara o desfecho da história com uma boa dose de esperança e otimismo. Até mesmo os fãs de “La La Land” podem sorrir e aquecer o coração com uma cena musical à beira de uma jukebox. A trilha sonora, uma das mais instigantes dessa safra, resgata o groove de Boris Gardiner e tem até Caetano Veloso, sem contar a trilha original, composta com doses de solenidade e suspense por Nichollas Britell.

6 – Oscar nada branco
“La La Land” pode até ser o escapismo perfeito para a realidade dura do mundo, mas tem quem enxergue em “Moonlight” a resposta perfeita de Hollywood para o governo de Donald Trump, que em pouco mais de um mês atacou imigrantes e desmantelou programas sociais para minorias –cujas histórias no cinema não costumam ganhar prêmios. Além disso, o filme tem elenco todo negro e colaborou para melhorar a representatividade no prêmio. Barry Jenkins é o único artista negro na história da premiação a emplacar indicações em filme, direção e roteiro.

Fonte: Uol Cinema

Comentários