Ousadia tendo como pano de fundo o lugar comum. Explico: Elvis e Madona está longe das comédias românticas tipicamente brasileiras, ou abrasileiradas, foge aos padrões estereotipados, mas acaba caindo nele também.
Nada de casal comum, digo garoto e garota, que se apaixona e vive feliz para sempre. Madona (Igor Cotrim) é uma travesti de uma Copacabana nada idealizada e de carne e osso, literalmente, que, ao lado de Elvis (Simone Spoladore), uma lésbica motogirl que sonha em ser fotógrafa, forma um casal nada convencional. Estranho, no mínimo.
Puramente trash, o diretor Marcelo Laffitte trabalhou indo de encontro e ao encontro com os estereótipos. Atuações exageradas e previsíveis até dão a graça e o tom da comédia, mas por vezes deixam o aparato cinematográfico reafirmado diante dos espectadores. Sim, você está diante de um filme, no mínimo, ousado quanto às produções brasileiras. Mas as atuações são também, em determinados momentos, brilhantes. Destaco Simone Spoladore, delicada e que na trama deixou transparecer o lado mulher-macho, sim, senhor.
Um dos filmes mais importantes para a mudança de conceitos com relação ao papel social feminino é certamente Bonequinha de Luxo. Hoje, 5 de outubro, comemoram-se 50 anos da primeira exibição desse clássico.
Protagonizado por Audrey Hepburn e George Peppard, o queridinho das apaixonadas por moda foi inspirado em um romance de Truman Capote, Breakfast at Tiffany’s (1961), e responsável por emplacar o charme da atriz.
Um típico estereótipo da figura feminina livre dos pré-conceitos e do machismo de tempos atrás. Assim é Marley Corbett, mulher sem medos aparentes, bem resolvida com o corpo que tem, que pedala de saia e se destaca com opiniões próprias e ousadas na agência de publicidade em que trabalha. Uma ninfomaníaca que assume os riscos de ser feliz sozinha, “porque relacionamentos são foda”.
Mas aí é que chegamos à pergunta do título: quando é que se está Pronta para Amar? Será quando já se “provou de tudo” e está buscando colo e conforto? Será essa a imagem que Hollywood tem das mulheres dos dias atuais? E o amor tem lá data certa para acontecer?
Há filmes que simplesmente são feitos para entreter e que passam tantas vezes despercebidos. Outros que marcam, que tocam mais que o olhar bem fixo à tela, mas que também envolvem alma e coração até os últimos segundos de exibição. Uma trama muito sensível e repleta em simbologia. É exatamente assim que acontece com Hanami – Cerejeiras em Flor, longa alemão que tem como plano do fundo a terra do sol nascente, o Japão. Um belíssimo trabalho escondido sob a safra de superproduções, efeitos especiais e grandes doses de ação.
Dentre os vários filmes que surgem a respeito das grandes reflexões da humanidade acerca de sua relação com a natureza e com um poder maior, a obra de Terrence Malick com certeza se diferencia. A Árvore da Vida é um filme que trata com uma poesia sublime dos nossos questionamentos a respeito da existência de Deus, dos códigos de conduta dentro de uma estrutura familiar rígida, das nossas descobertas e das nossas escolhas.
O filme, que não se apresenta num tempo e numa percepção de realidade muito bem definidos (não há diferenças na linguagem visual que nos permitam distinguir, por exemplo, o que é uma situação vivida ou uma situação idealizada) mostra esses questionamentos dentro da visão de uma família americana dos anos 50, principalmente da visão do filho mais velho, Jack, que adulto é vivido por Sean Penn, cuja atuação, aliás, segue cada vez mais surpreendente.
Diante da tempestade de comédias voltadas para o público masculino, eis que entra em cena Missão Madrinha de Casamento, um filme que nada tem de disputa de sexos opostos, mas uma comédia sutil de mulher para mulher que acaba agradando ao público em geral com pequenas doses de boas risadas. É que o foco da trama está, antes de mais nada, nas peculiaridades femininas (os desejos, futilidades e dramas), que têm como pano de fundo a amizade verdadeira que pode surgir com o tempo.
Annie, interpretada por Kristen Wiig, tem uma missão quase impossível diante do dilema por qual passa. É um turbilhão de má sorte: recém abandonada pelo namorado e falida, com um rolo autodestrutivo com o ex na esperança de que ele a assuma novamente e com o emprego por um fio, mora em um apartamento com um casal de irmãos bizarros e sua mãe é uma fanática por reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos). Para piorar, Lílian, amiga de infância, está com uma nova grande amizade, Helen, vivida por Rose Byrne, uma mulher linda, rica e muito bem-sucedida em organização de festas.
Entrevistada pela versão escocesa do jornal The Herald, Kirsten Dunst, a Mary Jane dos filmes do Homem-Aranha dirigidos por Sam Raimi, falou sobre O Espetacular Homem-Aranha: “Eu conheço algumas das pessoas trabalhando em Homem-Aranha e acho que são ótimos atores. Será um filme divertido. Mas acho estranho o reinício. Coisas assim acontecem quando as pessoas do original estão muito mais velhas – e eu só tenho 29 anos. Mas é aquela coisa do ‘precisamos de gente mais nova, de novidade’. Será uma abordagem totalmente diferente ao material. Não é Mary Jane e Peter – e Gwen Stacy e Peter. Mas é claro que estarei lá para assistir. Espero que me convidem para a première”.
Em cartaz nos Cinemas Lumière com Planeta dos Macacos – A Origem, James Franco deverá fechar contrato para dirigir uma adaptação para as telonas de Filho de Deus, livro escrito por Cormac McCarthy.
O tão esperado A Árvore da Vida, que levou a Palma de Ouro, principal prêmio no Festival de Cinema de Cannes, chega às salas de cinema com um certo atraso, mais de dois meses após a data prevista, mas, ainda assim, aguardado pelos cinéfilos com muita expectativa.
O novo filme do cineasta Terrence Malick (O Novo Mundo), estrelado por Brad Pitt e Sean Penn, teve o roteiro gestado por Malick desde 1970 e só entre filmagem e montagem foram dois anos e meio.
Ficção científica em um clima totalmente faroeste. Quem diria essa mistura de gêneros dar tão certo? Surpresa positiva em meio a pouca expectativa gerada pela crítica. Se em “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” essa excêntrica junção levou à desilusão geral, o vasto território que divide western e extraterrestres em “Cowboys & Aliens” deu um passo além e ultrapassassou as desconfianças iniciais de um título apenas estusiasmante.
Um elenco brilhante composto pelos principais Daniel Graig, Harrison Ford e Olivia Wildeem atuações além do esperado. E, na verdade, se o que se ouvia por aí é que iria estrear o filme com Harrison Ford, foi o atual agente secreto James Bond (007), Daniel Graig, quem mostrou espetacular desenvoltura protagonizando a trama.
A fantasia, que tem como elemento de inspiração o Velho Oeste, apresenta uma trama com o desenrolar típico Hollywoodiano através da conhecida estrutura cinematográfica em três atos, descrita por Syd Field: apresentação da trama e personagens, conflito e desfecho que, por manter a estrutura linear, torna o final previsível. Utiliza ainda das fórmulas típicas e dos grandes orçamentos que fazem “funcionar”. Ainda assim, consegue trabalhar a temática de forma criativa e inteligente. Imagine cowboys e aliens em um mesmo cenário… Dependendo da forma como fosse conduzido, facilmente cairia no trash.
A direção não autoral do filme, nas mãos de Jon Favreau (que também dirigiu O Homem de Ferro), dá espaço para que a estória aconteça sem exageradas intervenções. Quanto à fotografia, percebe-se naturalidade nos tons, o que dá mais credibilidade à trama e levando em consideração o tema fantasioso abordado, dá o equilíbrio necessário.
Inverrosímil, mas funcional. Apesar do peso de todo o elenco e profissionais de cinema em todas as áreas envolvidas, o filme perde em trechos e tenta reeguer-se em meio a amizades forçadas e pequenas intrigas. Mas, claro, se é o propósito ser um filme que entretém, facilmente cumpre e, mesmo com pequenas falhas para o espectador mais exigente, está longe de ser um novo desastre das telonas.
Direção: Jon Favreau Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci & Damon Lindelof, baseado na obra de Fred Van Lente Música: Harry Gregson-Williams Direção de Fotografia: Matthew Libatique Montagem: Dan Lebental Site Oficial: http://www.cowboysandaliensmovie.com
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