Segunda-feira Fevereiro 7th, 2011 16:57 Entrevista ilustrada: Rodolfo Nanni

Nada como falar por meio de imagens e fazer-se entender por entrelinhas. Esta é a proposta da entrevista ilustrada.

Quem é você em cinco imagens?

Cinco artistas de áreas diferentes que você aprecia.

Na sua visão, o melhor de seus trabalhos.

Na visão da imprensa, o seu melhor trabalho.

Um trabalho que, hoje, você faria diferente do que fez.

Uma inspiração para você.

Uma pessoa para chamar de gênio.

Um desejo para 2011.

O que não é arte?

E o que é arte?

Lugar que te inspira.

Um desejo.

Biografia de Rodolfo Nanni

Rodolfo Nanni, artista plural, perspicaz, autocrítico e persistente, como bem conta a jornalista Neusa Barbosa no livro “Rodolfo Nanni, um Realizador Persistente”, que compõe a coleção Aplauso Cinema Brasil, conduziu, mesmo sem se dar conta disso, uma das experiências mais incríveis de nosso cinema. Ele realizou o primeiro longa-metragem infantil, “O Saci”, datado de 1953 e que revelava Nelson Pereira dos Santos como assistente de direção. E esse foi apenas um legado inicial e que não se esgota por aí. Mas, antes, cabe, brevemente, um passeio nos campos pelos quais Nanni enveredou-se: como pintor (estudou com Anita Malfatti, Cândido Portinari e Axl Leskosceck).

Com relação ao cinema, da ficção ao documentário, o cineasta muito bem soube se expressar, mas o reconhecimento tem acontecido aos poucos. De “O Saci”, percorreu os caminhos para a realização de uma ficção “Cordélia, Cordélia” (1971), trabalho em que a atriz Lilian Lemmertz desempenha papel memorável.

O documentário foi por ele praticado muito antes de o gênero se transformar em tendência inundando as telas dos anos 1990.

Mas ele mesmo confessa que muitos dos filmes não passaram de sonhos… Ou ficaram pelo caminho, na gaveta, mas jamais esquecidos. Ainda que impedido de realizar-se completamente por meio da ficção, devido aos empecilhos que entravam a produção cinematográfica brasileira, o cineasta não perdeu tempo lamentando-se e driblou as ameaças a ponto de descobrir novos nichos. Em 1959, o premiado “O Drama das Secas”, mostra sua preocupação com os problemas sociais do país.

Artista de muitos talentos e incapaz de ver o mundo sob um mesmo olhar, Rodolfo também percorreu os caminhos do ensino de cinema do país, como professor e fundador da Escola de Cinema da FAAP, em 1969.

Em 2008, depois de 50 anos, voltou ao nordeste brasileiro para fazer os mesmos caminhos de “O Drama das Secas” e filmar “O Retorno” (seu próprio retorno àquelas regiões, meio século depois), mostrando as imensas dificuldades de sobrevivência dos pequenos agricultores do agreste e do sertão pernambucanos que não recebem nenhuma ajuda governamental, como financiamento para suas pequenas lavouras. Em “O Retorno”, Nanni mostra também sua preocupação pelos graves problemas do clima nessa região e no mundo.

O “artista inacabado”, como Neusa Barbosa define, está sempre em movimento, cheio de projetos e sonhos.

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