Quarta-feira Outubro 5th, 2011 17:39 Uma retomada da Chanchada em Elvis & Madona

Ousadia tendo como pano de fundo o lugar comum. Explico: Elvis e Madona está longe das comédias românticas tipicamente brasileiras, ou abrasileiradas, foge aos padrões estereotipados, mas acaba caindo nele também.

Nada de casal comum, digo garoto e garota, que se apaixona e vive feliz para sempre. Madona (Igor Cotrim) é uma travesti de uma Copacabana nada idealizada e de carne e osso, literalmente, que, ao lado de Elvis (Simone Spoladore), uma lésbica motogirl que sonha em ser fotógrafa, forma um casal nada convencional. Estranho, no mínimo.

Puramente trash, o diretor Marcelo Laffitte trabalhou indo de encontro e ao encontro com os estereótipos. Atuações exageradas e previsíveis até dão a graça e o tom da comédia, mas por vezes deixam o aparato cinematográfico reafirmado diante dos espectadores. Sim, você está diante de um filme, no mínimo, ousado quanto às produções brasileiras. Mas as atuações são também, em determinados momentos, brilhantes. Destaco Simone Spoladore, delicada e que na trama deixou transparecer o lado mulher-macho, sim, senhor.

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Quinta-feira Setembro 29th, 2011 13:37 Quando se está Pronta para Amar?

Um típico estereótipo da figura feminina livre dos pré-conceitos e do machismo de tempos atrás. Assim é Marley Corbett, mulher sem medos aparentes, bem resolvida com o corpo que tem, que pedala de saia e se destaca com opiniões próprias e ousadas na agência de publicidade em que trabalha. Uma ninfomaníaca que assume os riscos de ser feliz sozinha, “porque relacionamentos são foda”.

Mas aí é que chegamos à pergunta do título: quando é que se está Pronta para Amar? Será quando já se “provou de tudo” e está buscando colo e conforto? Será essa a imagem que Hollywood tem das mulheres dos dias atuais? E o amor tem lá data certa para acontecer?

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Sexta-feira Setembro 23rd, 2011 20:25 Efemeridade do tempo em Cerejeiras em Flor

Há filmes que simplesmente são feitos para entreter e que passam tantas vezes despercebidos. Outros que marcam, que tocam mais que o olhar bem fixo à tela, mas que também envolvem alma e coração até os últimos segundos de exibição. Uma trama muito sensível e repleta em simbologia. É exatamente assim que acontece com Hanami – Cerejeiras em Flor, longa alemão que tem como plano do fundo a terra do sol nascente, o Japão. Um belíssimo trabalho escondido sob a safra de superproduções, efeitos especiais e grandes doses de ação.


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Sexta-feira Setembro 23rd, 2011 20:25 A Árvore da Vida – Uma bela e profunda poesia humanista

Dentre os vários filmes que surgem a respeito das grandes reflexões da humanidade acerca de sua relação com a natureza e com um poder maior, a obra de Terrence Malick com certeza se diferencia. A Árvore da Vida é um filme que trata com uma poesia sublime dos nossos questionamentos a respeito da existência de Deus, dos códigos de conduta dentro de uma estrutura familiar rígida, das nossas descobertas e das nossas escolhas.

O filme, que não se apresenta num tempo e numa percepção de realidade muito bem definidos (não há diferenças na linguagem visual que nos permitam distinguir, por exemplo, o que é uma situação vivida ou uma situação idealizada) mostra esses questionamentos dentro da visão de uma família americana dos anos 50, principalmente da visão do filho mais velho, Jack, que adulto é vivido por Sean Penn, cuja atuação, aliás, segue cada vez mais surpreendente.

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Quarta-feira Setembro 21st, 2011 17:27 Missão Madrinha de Casamento: e que missão!

Diante da tempestade de comédias voltadas para o público masculino, eis que entra em cena Missão Madrinha de Casamento, um filme que nada tem de disputa de sexos opostos, mas uma comédia sutil de mulher para mulher que acaba agradando ao público em geral com pequenas doses de boas risadas. É que o foco da trama está, antes de mais nada, nas peculiaridades femininas (os desejos, futilidades e dramas), que têm como pano de fundo a amizade verdadeira que pode surgir com o tempo.

Annie, interpretada por Kristen Wiig, tem uma missão quase impossível diante do dilema por qual passa. É um turbilhão de má sorte: recém abandonada pelo namorado e falida, com um rolo autodestrutivo com o ex na esperança de que ele a assuma novamente e com o emprego por um fio, mora em um apartamento com um casal de irmãos bizarros e sua mãe é uma fanática por reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos). Para piorar, Lílian, amiga de infância, está com uma nova grande amizade, Helen, vivida por Rose Byrne, uma mulher linda, rica e muito bem-sucedida em organização de festas.

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Terça-feira Setembro 6th, 2011 21:50 Cowboys & Aliens: fantasia como elemento de inspiração no Velho Oeste

Ficção científica em um clima totalmente faroeste. Quem diria essa mistura de gêneros dar tão certo? Surpresa positiva em meio a pouca expectativa gerada pela crítica. Se em “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” essa excêntrica junção levou à desilusão geral, o vasto território que divide western e extraterrestres em “Cowboys & Aliens” deu um passo além e ultrapassassou as desconfianças iniciais de um título apenas estusiasmante.

Um elenco brilhante composto pelos principais Daniel Graig, Harrison Ford e Olivia Wilde em atuações além do esperado. E, na verdade, se o que se ouvia por aí é que iria estrear o filme com Harrison Ford, foi o atual agente secreto James Bond (007), Daniel Graig, quem mostrou espetacular desenvoltura protagonizando a trama.

A fantasia, que tem como elemento de inspiração o Velho Oeste, apresenta uma trama com o desenrolar típico Hollywoodiano através da conhecida estrutura cinematográfica em três atos, descrita por Syd Field: apresentação da trama e personagens, conflito e desfecho que, por manter a estrutura linear, torna o final previsível. Utiliza ainda das fórmulas típicas e dos grandes orçamentos que fazem “funcionar”. Ainda assim, consegue trabalhar a temática de forma criativa e inteligente. Imagine cowboys e aliens em um mesmo cenário… Dependendo da forma como fosse conduzido, facilmente cairia no trash.

A direção não autoral do filme, nas mãos de Jon Favreau (que também dirigiu O Homem de Ferro), dá espaço para que a estória aconteça sem exageradas intervenções. Quanto à fotografia, percebe-se naturalidade nos tons, o que dá mais credibilidade à trama e levando em consideração o tema fantasioso abordado, dá o equilíbrio necessário.

Inverrosímil, mas funcional. Apesar do peso de todo o elenco e profissionais de cinema em todas as áreas envolvidas, o filme perde em trechos e tenta reeguer-se em meio a amizades forçadas e pequenas intrigas.  Mas, claro, se é o propósito ser um filme que entretém, facilmente cumpre e, mesmo com pequenas falhas para o espectador mais exigente, está longe de ser um novo desastre das telonas.

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci & Damon Lindelof, baseado na obra de Fred Van Lente
Música: Harry Gregson-Williams
Direção de Fotografia: Matthew Libatique
Montagem: Dan Lebental
Site Oficial: http://www.cowboysandaliensmovie.com

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Sexta-feira Agosto 26th, 2011 20:56 O Homem do Futuro: amor que move o tempo

Escrito e dirigido por Claudio Torres, o filme é estrelado por Wagner Moura no papel de Zero, um cientista genial, porém infeliz por seu passado, porque há 20 anos foi humilhado publicamente na faculdade e perdeu o grande amor de sua vida, Helena (Alinne Moraes). É quando, prestes a ser demitido, aciona o acelerador de partículas em que está trabalhando e acaba voltando no tempo por acidente, onde se vê diante da chance de alterar o seu futuro.

O título O Homem do Futuro é por si convidativo ou, no mínimo, expressa curiosidade em leigos e cinéfilos de carteirinha, e também daqueles que já haviam conferido o clipe que foi construído para divulgar o filme, como um trailer estendido.

Uma comédia romântica que tem como pano de fundo a ficção científica, gênero ainda pouco fomentado no cinema nacional. Um primeiro passo e já por isso um bom começo: é mesmo uma comédia romântica atômica. Do mesmo diretor de A Mulher Invisível, o longa protagonizado faz o tempo voar, tanto na trama, literalmente, quanto na sala de cinema.

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Quinta-feira Agosto 11th, 2011 18:52 Desvarios e sensibilidade à flor da pele em Um Novo Despertar

Um título pouco convidativo e, talvez à primeira vista, uma trama que não fuja ao literal e esperado, sem enlaces e desenlaces que amarrem o espectador. Mas é aí que acontece o engano: Um Novo Despertar, dirigido e estrelado por Jodie Foster, e com Mel Gibson no papel principal, tanto prende como encanta já nos primeiros minutos.

Com Anton Yelchin, Michelle Ang e Jennifer Lawrence no elenco, ”The Beaver”, título original do drama, conta a história de Walter Black (Mel Gibson), um empresário atormentado pela depressão e dono de uma empresa de brinquedos à beira da falência. Após uma crise de desespero, o personagem se depara com o fantoche de um castor que mudará os rumos da sua vida. Finalizado em 2009, Um Novo Despertar foi lançado somente este ano, principalmente devido aos problemas pessoais envolvendo o astro Mel Gibson.

É um enredo que ora dá vazão ao drama, ora à comédia, e que caminha muito bem nesse limiar. E ainda que não haja inovação quanto a planos, montagem e trilha – e tendo sido lançado no restrito circuito de filme de arte -, é um filme que explora muito mais a temática em si, destrinchando-a, sem colocar como primordial o aparato técnico cinematográfico.

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Quinta-feira Agosto 4th, 2011 18:52 Melancolia em pequenas e densas doses

Do diretor dinamarquês Lars von Trier – e do gênero Ficção Científica – Melancolia é, antes de mais nada, uma contemplação do próprio fato de existir. Um drama psicológico denso, em doses de múltiplas sensações. Um filme sem meio termo e sem meio gostar, cabem aqui os extremos das opiniões: ou se ama ou se desencanta. Enquanto isso, vai-se digerindo.

Como em outros mais trabalhos de Lars, Melancolia mergulha na total visão feminina dos fatos. Michael (Alexander Skarsgard) e John (Kiefer Sutherland) são coadjuvantes de uma trama pautada pelas peculiaridades de Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). E isso se torna notório também a partir da escolha por dividir o roteiro em duas partes: a primeira denominada Justine e a segunda que recebe o nome de Claire. E ainda que os capítulos, de antemão, pareçam sem ligação contínua e quebra de fatos, há claramente a expressão de visões diferenciadas sobre um mesmo fato e não há quem não perceba o tom de desgosto do autor, Lars, com relação à sociedade, em que a situação está à beira de uma catástrofe.

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Segunda-feira Agosto 1st, 2011 13:41 Artimanhas em “O Poder e a Lei”

Um machão bonitão bem à moda antiga, uma estética à la anos 70. Um advogado, pai de família separado e que circula em Beverly Hills com seu motorista-cúmplice em um Ford Lincoln. Mickey Haller, interpretado por Matthew McConaughey, é um profissional de princípios éticos duvidosos.

O clima de cinismo se anuncia logo na abertura com a canção Ain’t no love in the heart of the city (Não há amor no coração da cidade), interpretada pela Bobby “Blue” Band. É o elemento principal da personalidade do protagonista.

A adaptação ao cinema do livro Advogado de Porta de Cadeia, de Michael Connelly, envolve um elemento poderoso nos tempos atuais: nada mais injusto que a própria lei. E aquele cenário de glamour, de homens engravatados, ternos caros, pastas, papéis e mais papéis e belas assistentes é desfeito em questão de segundos, desde o princípio da trama. O Poder e a Lei mostra os meandros do sistema jurídico norte-americano em uma Los Angeles perversa. E um clima pra lá de brasileiro também. Talvez, por isso, salas e salas lotadas.

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